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sexta-feira, abril 28, 2017

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Falange do bem



Por Célio Barcellos

Frequentemente, bate aquela nostalgia da minha terra. Sem nenhuma pretensão, sinto-me como um Gonçalves Dias numa Canção do Exílio, ou como Casimiro de Abreu declamando o poema “Meus Oito Anos”. 
Como era bom acordar em Itaúnas e dar um abraço na vida. O dia parecia não ter fim, pois  muitas coisas aconteciam. Desde a escola Benônio Falcão de Gouveia, onde junto com amigos dávamos passos para o aprendizado até as traquinagens de moleque. E ponha traquinagens!
Particularmente, havia um trio inseparável. Nenê, Célio e Toninho. Um trio, que mais parecia uma falange, liderada por Nenê, o aleijado que fazia miséria de muletas. Às vezes, juntavam Noirzinho, Rivelino e Mazinho, formando um sexteto afinadíssimo quando o assunto era aventura.
Alguns da falange, possuíam apelidos meio esquisitos. O Antônio Carlos Batista, vulgo Toninho, filho de Mariinha e neto da dona Maria Cutia, era conhecido como Toninho da Cachorra. O Mazinho, filho de Zelita e neto da dona Felicia, era Mazinho mesmo; O Sebastião Paixão Maia, filho de Maria Catarina e Bernabeth, era o Nenê; Noirzinho, filho de Noir e Vitalina era o “Verdão”; Rivelino, filho de Didi e dona Rosa era o  “Revelado”; e o neto da dona Valdimira e João Pequeno, conhecido como “Bota Cara” ou “Zé da Barra” e por alguns como Zé de Valdimira e atualmente como Célio de Adocélia.
A chácara do Zé Basílio era o local preferido, mas as localidades do Angelim, João Batista, Terezinha, Zé Dias, enfim… lugares que atualmente mudaram de nome e a moçada atual não sabe nem do que se trata. Um lugar também que não pode ficar de fora era o Tamandaré. Quantas carreiras tomamos daquele senhor de pouca estatura, olhos azuis, chapéu de palha e bastante carrancudo para defender o seu pomar de frutas tropicais!
O Sr. Tamanda, como nós o chamávamos, foi o único remanescente da Antiga Vila que permaneceu do outro lado do rio. Com o soterramento da Itaúnas Velha, quando os moradores se mudaram para o local atual, o Sr. Tamanda disse que somente sairia de lá morto. E cumpriu a palavra! 
Usando a sabedoria, ao invés de desmatar, procurou preservar a flora do lugar, fazendo o sábio uso da terra. As Dunas que soterraram a Vila, não atingiram a casa do Tamandaré. Com a morte dele e de sua esposa dona Nonôca, diga-se de passagem em função da idade, infelizmente nenhum dos filhos teve o mesmo intuito do pai em preservar e obter a subsistência do lugar.
Mas, como comentado anteriormente, o Nenê era o chefe da falange, cheio de malícia e muito dissimulado, onde enganava até a mãe. Pobre da dona Catarina! Acreditava na inocência do menino. Quanta ingenuidade dela e do Sr. Bernabeth. O problema, que nós também caíamos na onda do infeliz. Talvez por pena dele em ser aleijado, (hoje ele não usa as muletas.  Utiliza apenas uma. Dirige carros e faz um monte de coisas, graças a Deus).
Particularmente, eu apanhei muito por causa dele. A minha saudosa vovó Valdimira, não achava ele tão inocente. Como éramos vizinhos e muito amigos, tínhamos o rio, praticamente como nosso quintal. Partíamos para nos refrescar e por chantagem, o infeliz, queria que eu o carregasse nas costas. Aquela cena, deixava a minha vovozinha uma arara. E tome surra quando voltava! 
É isso ai… lembrar do passado é lembrar da vida. É ter causos para contar e se divertir com os mesmos. Toda vez que retorno a Itaúnas e reencontro alguns desses, normalmente temos alguma coisa para relembrar e rir. 
Valeu Itaúnas! Você é o local onde tenho as melhores recordações da vida. Um abraço aos meus amigos e a cada cidadão desse meu pedaço de chão.

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