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domingo, setembro 17, 2017

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Liberdade Religiosa: não use inadequadamente o nome de Jesus




Por Célio Barcellos

As recentes afrontas a Terreiros de Candomblé no Rio de Janeiro, fez acender a luz vermelha no que se refere a Liberdade Religiosa no Brasil. Logo, nesse querido país gabado por todos em função da alegria e hospitalidade de sua gente!? Um país que prefere a diplomacia ao invés da guerra; que abre as portas ao estrangeiro como a nenhum outro, onde o negro e o branco, o católico e o protestante vivem sem muitos problemas. 
Desde a abertura dos portos brasileiros para a Inglaterra em 1808, o Brasil passou a receber diversos missionários de várias frentes religiosas que passaram a fincar bandeiras em seu solo. A iniciativa da família real portuguesa em ceder aos préstimos dos ingleses, fez com que os 300 anos de hegemonia católica fosse distribuída para diversas outras confissões. 
A partir da República com a separação entre Igreja e Estado, definitivamente, as igrejas evangélicas se expandiram. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o numero de evangélicos aumentou mais de 60% em 10 anos. Se analisar o crescimento em cada decênio a partir dos anos 80, ficaria assim: 1980 = 6,6%; 1991 = 9%; 2000 = 15,4% e em 2010 = 22,2%.
Na comparação dos dois últimos Censos, levando em consideração o numero de adeptos, seria o seguinte: Em 2000, 26,2 milhões de brasileiros se disseram evangélicos e em 2010 o numero saltou para 42,3 milhões. Numa população de 170 milhões de brasileiros, os números não deixam de ser interessantes.
Na abordagem do ultimo censo realizado (2010), o (IBGE) chegou aos seguintes dados no que se referem a fé da população brasileira:

  1. Católica Apostólica Romana = 123.280,172
  2. Evangélicas = 42.275,440
  3. Espírita = 3.848,876
  4. Umbanda, candomblé e religiões afrobrasileiras = 588,797
  5. Outras religiões = 5.185,065
  6. Sem religião = 15.335,510.
  Um olhar atento a esses números deveria fazer com que cada brasileiro, religioso ou não, pudesse observar com mais respeito a quem fosse adepto ou não de alguma religião. Se alguém professa algo é porque existe uma crença. E na liberdade de crença e de expressão é possível de forma civilizada e respeitosa proclamar o que se acredita. Neste caso, tanto católicos, evangélicos, candomblecistas, ou qualquer seguimento religioso, pode usufruir desse direito.
Se cada brasileiro, fizer uma viagem ao passado, descobrirá que em sua árvore genealógica, no que se refere a religiosidade, há parentes católicos, religiões de matriz africana e até religiões do ponto de vista indígena - um verdadeiro sincretismo como em Atenas ou em todo o império romano.
Particularmente, sou de origem católica e agradeço pela formação que tive. Apesar de minha vó (pessoa que me criou com dedicação) transitar entre o catolicismo e os terreiros, preferi o centro paroquial ao centro do candomblé. Quando ela se arriscava em me lavar a um terreiro, passava a maior vergonha, pois eu não me sentia bem e causava o maior vexame na velhinha.
À medida em que fui crescendo, a importância do sagrado esteve sempre presente em minha vida. Inclusive o de respeitar outras religiões, mesmo não concordando com as mesmas. Aproveitando da liberdade que todo ser humano tem direito, há mais de duas décadas, estou num seguimento protestante, quando o poder do evangelho me alcançou. Não tenho nenhum interesse em maltratar ou obrigar qualquer pessoa a ferir as suas crenças, mas utilizar a liberdade que tenho para pregar o evangelho de Cristo. 
Se vivêssemos no primeiro século da era cristã, certamente, o candomblé e tantas outras religiões de matriz africana, seriam classificadas como sendo "religiões de mistério”. Naquele contexto, elas seriam mais aceitas do que o próprio cristianismo, uma vez que o mundo e a cultura pagã não tinham dificuldades em aceitar por exemplo, a iniciação ao mitraísmo, quando o indivíduo tomava o banho de sangue chamado de tourobólio (era o chamado batismo de sangue, exigência daquele seguimento). 
Mesmo que religiões de matriz africana, se utilizem de mistérios e venham a se encaixar na categoria de seitas, devem, assim como todo seguimento religioso ser fiscalizadas pelo Estado. Nenhum cidadão, especialmente o que professa o cristianismo, tem o direito de anular com as próprias mãos, os idosos ou entidades de segmentos que os utilizam. 
A obrigação de cada cristão que professa o nome de Jesus é pregar o evangelho com amor e aproveitar a liberdade que o país oferece. Faça como o apóstolo Paulo por ocasião de sua visita em Atenas. Ao invés de destruir os ídolos, aproveitou um gancho e contextualizou o evangelho no momento em que lhes deram a oportunidade de discursar (Atos 17:16-34).
Portanto, use  adequadamente o nome de Jesus. Não faça justiça com as próprias mãos!  Ele, o único Ser que poderia destruir tudo e a todos, preferiu a tolerância e o amor. Pregue o evangelho sem distratar ou obrigar as pessoas! Por favor! Não seja intolerante. Isso nunca foi o sentido do evangelho e nem a mensagem do Cristo. Deixe o acerto de contas com Ele. Afinal, quem melhor do que o Cristo para separar as ovelhas dos bodes?

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